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Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro  (MAM-RJ)    |    30 de junho, 1º e 2 de julho de 2009

 

Laboratoire d’Études et de Recherches
sur Les Logiques Contemporaines de la Philosophie
Université Paris VIII

Programa de Pós-Graduação em Comunicação,
Universidade Federal Fluminense
PPGCOM / UFF

Escola de Comunicação e Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura,
Universidade Federal do Rio de Janeiro
ECO / UFRJ

Escola de Belas Artes,
Universidade Federal do Rio de Janeiro
EBA/ UFRJ

Programa de Pós-Graduação em Comunicação,
Universidade do Estado do Rio de Janeiro
PPGCOM / UERJ

Programa de Pós-Graduação em Comunicação,
Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro

PósCom / PUC-Rio
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O principal objetivo deste encontro entre pesquisadores franceses, brasileiros e argentinos consiste em discutir o estatuto do cinema e da imagem diante da sua renovação radical sob o impacto das novas tecnologias.

Confrontando essa atualidade às mudanças precedentes que têm marcado a “sétima arte”, serão interrogados os novos regimes de percepção, tanto no que concerne às suas implicações no domínio da estética e da comunicação como no campo da política e da filosofia.

Parte-se do pressuposto de que as críticas de cinema tradicionais, ainda ancoradas no universo das tecnologias analógicas, precisam ser reformuladas e amplificadas a fim de atingir o estudo de fenômenos midiáticos e artísticos que estão contribuindo para o surgimento de novos formatos audiovisuais.

A partir desse núcleo temático, o colóquio se propõe a efetuar uma análise comparativa entre o surgimento do cinema, durante os processos de modernização ocorridos no final do século XIX, e seu estatuto na contemporaneidade sob a influência das tecnologias digitais.

A intenção é promover novas perspectivas para examinar os conceitos de imagem e movimento, bem como as categorias de tempo e espaço, e seus efeitos na produção de novos modos de difusão e percepção dos materiais audiovisuais.

1. Cinema, tecnologia e poder
O objetivo desta sessão consiste emtraçar uma genealogiadas relações entre cinema, tecnologia e percepção desde sua emergência até os dias atuais. Essa abordagem histórica servirá de base para a compreensão do lugar do cinema no mundo contemporâneo, quando a experiência se torna cada vez mais amalgamada à aparelhagem tecnológica. Neste novo contexto, a imagem cinematográfica e os modos de percepção se reorganizam em função de diversas redes de comunicação, novas formas artísticas e de espetáculo, novos sistemas de controle, dispositivos de poder e saberes tecnocientíficos. 

2. Do olho ao cérebro: cinema, corpo e percepção
As matrizes clássicas do espetáculo cinematográfico, baseadas na identificação “olhar-sujeito” e no modelo óptico como forma dominante, estão sendo reformuladas com o advento de novas molduras narrativas e outros espaços de visualização e imersão. Essas transformações vêm atreladas ao uso intensivo de ferramentas digitais na criação e difusão de imagens. É possível detectar os vínculos entre esses processos e a emergência de um novo modelo de espectador, junto ao surgimento de novas formas de organização corporal edificadas sob a égide da equação “cérebro-sujeito”. Neste contexto entra em jogo, também, a contínua incorporação de meios interativos e de tecnologias da telepresença, bem como outros dispositivos emanados do universo digital. 

3. O cinema em jogo: interatividade, imersão e multimídia
Esta sessão discutirá a recente expansão da imagem cinematográfica para múltiplos espaços de exibição, conquistando novos tipos de telas para a exposição e outros mecanismos de circulação. Esse afrouxamento das margens do cinema está contribuindo para a produção de formas inéditas de experiências ópticas e hápticas (ou táteis), não apenas no espaço doméstico e nas ruas das cidades, mas também em museus, galerias de arte, parques de diversões e até nos meios de transporte. Cabe acrescentar, também, a dilatação da experiência cinematográfica que acompanha a popularização dos aparelhos portáteis de entretenimento e comunicação. As técnicas de reprodução digital habilitaram uma reconfiguração do dispositivo cinematográfico clássico e uma abertura para a convergência multimídia, anunciando novos regimes de imersão, agenciamento e interatividade que põem em crise o espaço clássico de exibição do filme e os conceitos tradicionais de imagem, cinema e espectador. 

4. O novo bioscópio: cinema, realismo e autoficção
Os novos canais para a circulação de imagens que proliferam na Internet, tais como Youtube, Orkut, MySpace, Facebook, Twitter e os blogs, fotologs e videologs, têm propiciado a exploração de linguagens que embaralham as fronteiras entre o real e a ficção. Esses novos dispositivos audiovisuais permitem a construção de autoficções, tanto para seus autores, narradores e protagonistas, como para seus leitores e espectadores. Nesses espaços interativos surgem experiências inéditas quanto à sociabilidade e à produção de subjetividade. Esta sessão focalizará os diálogos entre o cinema contemporâneo e essas novas modalidades de expressão e comunicação, nas quais proliferam o culto à imagem de si, o imperativo da visibilidade e uma construção espetacular da realidade.

30/06/2009
Abertura (18:30)
Apresentação do Colóquio Internacional
Cinema, Tecnologia e Percepção: novos diálogos
Eric Lecerf (Paris VIII), Paula Sibilia (UFF) e Tadeu Capistrano (UFRJ)

Conferência (19:00 – 20:30)
O que figura o figurante: o “casting” daquele ou daqueles que representam o povo.
Marie-Jose Mondzain (École des Hautes Études en Sciences Sociales, França)
Mediação: César Guimarães  

01/07/2009
Sessão temática 1: Cinema, tecnologia e poder 

Manhã
Mesa redonda A  (9:00 – 11:00)
Cinema, julgamento, repetição
Andréa França (PUC-Rio)

O que fazem as imagens quando não estamos olhando para elas?
Maurício Lissovsky (UFRJ)

O que se constrói do trabalho e da percepção na passagem do cinema mudo ao falado
Eric Lecerf (Paris VIII)

Mediação: Ivana Bentes

Mesa redonda B  (11:15 – 13:00)
Poderes e resistências: O documentário contemporâneo brasileiro
Cézar Migliorin (UFF)

Arte e percepção: O cinema como questão política
Hernán Ulm (UNSA)

Regimes de visualização e bioestéticas no capitalismo cognitivo
Ivana Bentes (UFRJ)

Mediação: Erick Felinto

Tarde
Sessão temática 2: Do olho ao cérebro: Cinema, corpo e percepção 

Mesa redonda A  (14:00 – 16:00)
O trem, a fotografia, o telefone e o cinema em Proust:
As mídias e a percepção do tempo
Adalberto Müller (UFF)

Vampyrotheutes infernalis: Imagem, mídia e vampirismo
Erick Felinto (UERJ)

Estatuto e emprego da imagem em criptozoologia
Stefanie Baumann (Paris VIII)

Mediação: Maria Cristina Franco Ferraz 

Mesa redonda B  (16:30 – 18:30)
Do cinema moderno à nova ficção audiovisual seriada:
Atenção, polissemia e biopolítica
Ícaro Ferraz Vidal Junior (UFRJ)

Cérebro e memória em descontinuidade:
“Je t’aime Je t’aime”, de Resnais
João Luiz Vieira (UFF)

Cinema, cérebro, memória
Maria Cristina Franco Ferraz (UFF)

Mediação: Paula Sibilia 

Noite
Conferência (19:00-20:00)
A imagem como ficção do visível
Jean-Henri Roger (Univ. Paris VIII)

Mediação: Eric Lecerf 

02/07/2009
Manhã
Sessão temática 3: O cinema em jogo: Interatividade, imersão e multimídia 

Mesa redonda A  (9:00 – 11:00)
Cinema e presença: A relação como forma nas instalações contemporâneas
Kátia Maciel (UFRJ)

O cinema e a condição pós-midiática
Arlindo Machado (PUC-SP)

Audiovisual pré-digital e pós-analógico na América Latina
Jorge La Ferla (UBA)

Mediação: Adalberto Müller

Mesa redonda B  (11:15 – 13:00)
Cinema em trânsito
André Parente (UFRJ)

O inimaginável: O que falta às imagens
Plínio Prado Jr. (Paris VIII)

Os paradoxos da imagem em movimento 
Marie Bardet (Paris VIII)

Mediação: Arlindo Machado

Tarde
Sessão temática 4: O novo bioscópio: cinema, realismo e autoficção

Mesa redonda A (14:00 – 16:00)
Práticas artísticas contemporâneas e imagens de arquivo
Consuelo Lins (UFRJ)

Jogos de cena:
Confissão, ensaísmo e autoficção em alguns documentários contemporâneos
Ilana Feldman (USP)

Comum, ordinário, popular: figurações do outro no documentário brasileiro
César Guimarães (UFMG)

Mediação: Paula Sibilia  

Mesa redonda B (16:30 – 18:30)
Reversões do espetáculo e da vigilância nos dispositivos audiovisuais contemporâneos
Fernanda Bruno (UFRJ)

O grande baú virtual: Na era digital, as imagens (e sons) de família vão parar na Internet
Lígia Diogo (UFF)

Espetáculo e solidão: A construção de si como um personagem audiovisual
Paula Sibilia (UFF)

Mediação: Ilana Feldman 

Noite
Conferência (19:00 – 20:00)
A experiência artística imagética para além de suas imagens 
Sofia Panzarini (UBA)

Mediação: Tadeu Capistrano (UFRJ)


As inscrições são gratuitas e haverá tradução simultânea.
Vagas limitadas.
Os certificados serão expedidos para os que comparecerem em
75% da programação do colóquio.

Maiores informações:

     

Caixa Cultural RJ - 21 2544-4080 - Av. Almirante Barroso, 25 - Centro  •  realização: MIL CICLOS  •  Desenvolvimento: Quimeras
Realização - Mil Ciclos
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