| Dia: 16.06.2009 13h30 - Palestra de Abertura - Cinema, tecnologia e percepção: novos diálogosTadeu Capistrano Professor de teoria da imagem da Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (EBA/UFRJ). Graduado em Letras pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e em Cinema e Audiovisual, pela Universidade Federal Fluminense (UFF), onde também concluiu Mestrado em Comunicação, Imagem e Informação. É Doutor em Literatura Comparada pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), onde realizou tese sobre imagem, tecnologia e percepção com o apoio do CNPQ. Durante o ano de 2006 desenvolveu parte de sua tese como Visiting Scholar do Departamento de Literatura Comparada da Columbia University, em Nova York, sob orientação de Andreas Huyssen e de Jonathan Crary. Tem experiência na área de artes, com ênfase em teoria da imagem, principalmente nos seguintes temas: cinema, indústria cultural, modernização da percepção e novas tecnologias.
14h00 - Palíndromo (Felipe Barcinski, Brasil, 2001)
Palíndromo é um curta-metragem que narra de forma bastante inusitada um conjunto de eventos desastrosos na vida de um homem. O filme é todo rodado de trás para frente. Palíndromo em grego quer dizer justamente o que pode ser lido "de trás para a frente", e é uma figura recorrente na tradição literária (por exemplo, na frase ROMA AMOR). Julio Medém usou o recurso do Palíndromo em Os amantes do círculo polar, em que os protagonistas têm nomes palindômicos, Otto e Ana. Outro filme que aborda o tema é Palindromes, de Todd Solonz.
Faixa etária: 12 anos
14h20 - Alphaville (Jean-Luc Godard, França, 1965)
Alphaville é não apenas um dos maiores sucessos de Jean-Luc Godard, mas um dos filmes que melhor definem a sua capacidade para dialogar com distintas vertentes da história do cinema. Pois Alphaville coloca em confronto gênros aparentemente inconciliáveis como o ensaio fílmico, o filme noir e a ficção científica, tudo isso temperado com pitadas bem dosadas de cinema de poesia e suspense. Por essas e outras razões, Alphaville é, juntamente com Acossado, um filme incontornável. Numa cidade governada e controlada de forma ditatorial por um supercomputador, Alpha 60, um detetive chamado Lammy Caution (Eddie Constantine, que estrelava papéis de detetive em filmes dos anos 50) procura um cientista chamado Professor Vonbraun, mas acaba sob a mira do supercomputador, e vê-se obrigado a enfrentar uma sociedade destituída de sentimentos, e por pessoas que passam diariamente por processos de lavagem cerebral. O mundo do futuro é, assim, para Godard, um mundo cada vez mais privado da liberdade de pensar, e, sobretudo, de sentir. Pois entre as coisas que os habitantes de Alphaville desconhecem está o amor, embora o amor livre e o sexo sejam absolutamente permitidos. Nesse sentido, o filme tem parentesco com várias « distopias » sci-fi típicas do século XX, como 1984, de Orwell, e Admirável mundo novo, de Huxley. Mas através do caráter ensaístico, Godard mergulha também na discussão sobre a relação entre uma lógica vazia e a desumanização resultante do progresso tecnológico (o que lembra as reflexões heideggerianas sobre a essência da técnica, que grassavam pela França nos anos 60). O tecido de citações do filme também é impressionante : dos versos de Jorge Luís Borges e das teorias de Einstein, que Alpha 60 repoete, aos poemas de Paul Eluard, que Lammy Caution apresenta à alphavillense Natasha von Braun (Anna Karina), Godard põe em confronto uma série infinita de discursos. Fazendo com que Natasha descubra literalmente e em todos os sentidos a significação profunda do amor, Lammy Caution passa de detetive a redentor, dando ao filme um caráter soteriológco.
Faixa etária: 16 anos
17h30 - ConferênciaSilvia Oroz
Graduada em Cinema pela Universidad Nacional de La Plata (1971), mestrado em Comunicação pela Universidade de Brasília (1991) e Doutorado Notorio Saber pelo Centro Cordinador y Difusor de Estudios Latinoamericanos (2001). Atualmente é professor titular da Universidade Estácio de Sá e pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Tem experiência na área de Comunicação, com ênfase em Comunicação Visual. Atua principalmente nos seguintes temas: melodrama, genero, emocao, estrelas, estudios e folhetim.
Um dia, um gato (1963), Vojtech Jasny
O diretor tcheco Vojtech Jasny realizou cerca de 20 filmes na antiga tcheco-eslováquia antes de migrar para a Áustria, onde viria a ser um bem sucedido diretor de filmes de televisão, e onde adaptaria obras de Turgueniev e Heirich Böll. Um dia, um gato, de 1963, é um filme da fase tcheca, produzido dentro dos estúdios Barrandov. O filme narra a história de uma família que chega com um gato em uma pequena cidade eslovaca. Esse estranho gato que os acomapnha usa uns óculos que, quando retirados, fazem com que as pessoas adquiram cores de acordo com o seu sentimento. Classificado como cinema fantástico, trata-se de um conto filosófico quase voltairiano, que desmascara as convenções sociais, e revela as pessoas em sua intimidade através do artifício onírico. Os efeitos visuais com as cores são considerados um marco na história da utilização estética da cor no cinema.
Faixa etária: livre |