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Dia: 18.06.2009

14h00 - Mistérios e Paixões (David Cronenberg, Canadá, 1982)
O título original deste filme é Naked Lunch ou O almoço nu. Baseado no romance homônimo de William Burroughs, tornou-se um dos filmes mais cultuados de David Cronenberg. Como o próprio romancista, aliás, que matou sua esposa acidentalmente com um tiro na cabeça, o protagonista desta ficção se envolve em um assassinato e se vê absorvido por um mundo de alucinações, um universo povoado de substâncias narcóticas e criaturas fantásticas. Ambientado na cidade de Nova York em 1953, o filme narra as desventuras de um personagem que tenta ser escritor, mas precisa trabalhar como um exterminador de insetos para pagar suas contas. E ainda corre o risco de perder o emprego, pois costuma esgotar seu estoque de inseticida abastecendo a esposa, que é viciada no "barato" do pó venenoso. Quando o próprio protagonista resolve experimentar a perigosa substância, ingressa num vórtice de percepções dissociativas rumo a uma zona onde as máquinas de escrever se transformam em insetos falantes e gigantescos, entre outras metamorfoses igualmente inquietantes. Envolto numa belíssima atmosfera noir, este insólito filme invoca a cultura beat e o universo kafkniano, ao compasso das dissonantes improvisações jazziticas de Ornette Coleman. Além de metaforizar as potências da imagem como um vírus ou como uma substância alucinógena, o universo deste escritor também serviu de inspiração para o ensaio do filósofo Gilles Deleuze sobre as "sociedades de controle", um sagaz retrato dos mecanismos de poder no mundo contemporâneo.
Faixa etária: 18 anos

17h30 - ConferênciaMaria Cristina Franco Ferraz

Professora titular da Universidade Federal Fluminense. Graduada em Letras pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (1976), graduada em Didática Especial de Língua Inglesa pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (1977), mestre em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (1982), mestre em Filosofia D E A - Universite de Paris I (Pantheon-Sorbonne, 1986), doutora em Filosofia - Universite de Paris I (Pantheon-Sorbonne, 1992), com pós-doutorados no Instituto Max-Planck de História da Ciência (Berlim, 2004) e no Centro de Pesquisa em Literatura e Cultura de Berlim (2007). Desde 1999, diretora da Coleção Conexões, da editora carioca Relume Dumará. Pesquisadora do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Foi professora visitante nas universidades de Paris 8 (2000), Richmond (EUA, 2004), Perpignan (França, 2005 e 2009), Nova de Lisboa (2005) e Saint Andrews (Escócia, 2005). Publicou os livros Nietzsche, o bufão dos deuses (no Rio e em Paris), Platão: as artimanhas do fingimento e Nove variações sobre temas nietzschianos. Tem se dedicado à área dos Fundamentos Teóricos da Comunicação e Cultura.

18h30 - eXistenZ (David Cronenberg, EUA, 1997)
Um ambicioso filme de ficção científica, existencial e surrealista, que coloca em questão os duvidosos limites entre mundo real e realidade virtual, indagando nos riscos que implicam certos sonhos de época. Trata-se de um jogo de imersão interativa, o transCendenZ, perigosamente plugado aos corpos e cérebros dos jogadores, que vende a atraente promessa de ultrapassar as limitações do organismo humano para experimentar sensações e emoções extra-corpóreas. Lançado no último ano do século XX, o filme despeja na tela do cinema toda uma mitologia tecnocientífica que inflama o imaginário contemporâneo. Não se trata apenas das audazes interfaces neurais que conectam as máquinas informáticas ao sistema nervoso, mas também das biotecnologias que permitem criar seres geneticamente modificados para alimentar o mercado dos entretenimentos, com órgãos sintéticos, anfíbios quiméricos e consoles de DNA. Outros fantasmas de época também são convocados, como o terrorismo internacional e a violência conspirativa que envolve o afã de lucro das grandes corporações, os fanatismos religiosos e os mais confusos interesses políticos. Tudo num clima onírico que não se sabe direito se é sonho ou pesadelo, se alguma coisa terrível está de fato acontecendo ou se estamos diante de um mero obstáculo lúdico que nos dará acesso ao próximo nível do jogo. Como é habitual nos filmes de Cronenberg, as escolhas estéticas merecem destaque, pois em que pese a temática claramente futurista do filme, foi evitada a opção obvia de saturar os olhos do espectador com a parafernália computacional da próxima geração. Ao contrário, respingam sujeiras por toda parte e há um excesso de viscosidades orgânicas, denunciando sutilmente a ingenuidade do cenário clean que costuma ambientar as obras clássicas do gênero.
Faixa etária: 16 anos


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