| Dia: 19.06.2009 14h00 - Possessão (Andrezj Zulawski, Alemanha, 1981)
Quais os motivos que podem levar uma bela e jovem mulher, casada e com um filho pequeno, a abandonar seu lar e se desinteressar por tudo que concerne à família? Um amante, claro. Essa é a primeira suspeita do marido da protagonista, neste filme de terror rarefeito no qual abundam as sugestões e escasseiam as certezas. Porque as coisas podem ser infinitamente mais complicadas, e o fim de uma história de amor nunca foi algo simples. O diretor Andrezj Zulawski, aliás, confessou ter se inspirado nas experiências vividas em seu próprio casamento para delinear o roteiro, que também é da sua autoria. O tal amante, por exemplo, neste caso talvez tenha tentáculos - e muitos! - em vez de meros braços e pernas. Mas também pode ocorrer que os monstros gosmentos sejam apenas metafóricos. Ou não. Tudo acontece numa Berlim fria e distorcida, quase deserta, alguns anos antes da queda do muro. A direção corre por conta de um polonês obrigado ao exílio, e todos os diálogos são em inglês. O autor australiano Sam Neill acompanha muito bem a perturbadora atuação da francesa Isabelle Adjani, que foi premiada no Festival de Cannes por este trabalho. Os sons, as cores e os ângulos inusitados ecoam os gestos insensatos e os movimentos automatizados destes personagens possuídos pela dor, num clima bizarro que se intui prenhe de insinuações.
Faixa etária: 18 anos
17h30 - ConferênciaErick Felinto
Possui graduação em Comunicação Social pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (1990), mestrado em Comunicação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1993), especialização (ABD) pela Universidade da California, Los Angeles em Línguas e Literaturas Românicas (1997) e doutorado em Letras pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (1998). É autor dos livros "A Religião das Máquinas: Ensaios sobre o Imaginário da Cibercultura" (Sulina, 2005), "Passeando no Labirinto: Textos sobre as Tecnologias e Materialidades da Comunicação" (EDIPUCRS, 2006), "Silêncio de Deus, Silêncio dos Homens: Babel e a Sobrevivência do Sagrado na Literatura Moderna" (Sulina, 2008) e "A Imagem Espectral: Comunicação, Cinema e Fantasmagoria Tecnológica" (Ateliê Editorial, 2008). Pesquisador do CNPq e professor adjunto da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, onde leciona no Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social. É Presidente da Associação Nacional de Programas de Pós-Graduação (Compós) e membro do Conselho Científico da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema (Socine).
18h30 - Nosferatu (Werner Herzog, Alemanha, 1979)
Trata-se de uma homenagem àquele que talvez seja o maior filme alemão de todos os tempos: o Nosferatu de Friedrich Wilhelm Murnau, uma obra-prima do cinema mudo lançada em 1922. Que, por sua vez, é uma releitura da famosa lenda do Conde Drácula. Na versão de Herzog, a ênfase recai no personagem de Lucy, belamente interpretado por Isabelle Adjani. Já o célebre vampiro assume a pele de Klaus Kinski, um ser romanticamente atormentado pela sede de sangue e pela condenação a viver por toda a eternidade. Assim como acontece na obra máxima do expressionismo alemão que este filme homenageia, aqui também a beleza das imagens impressiona e toma conta da tela inteira, com uma parcimoniosa atmosfera onírica plena de sombras e contrastes. A peste e os ratos desolam a cidade enquanto o sangue jorra na contraluz. E a trilha sonora acompanha o clima denso e dissonante, nesta sombria tragédia sobre as misérias da condição humana.
Faixa etária: 16 anos |