| Dia: 23.06.2009 14h00 - Videogramas de uma revolução (Harum Farocki e Andrei Ujica, 1991/92)
Sinopse por: André Brasil.
Trata-se de um ensaio audiovisual de Harum Farocki e Andrei Ujica, onde mostra um momento exato em que a história fissura: o ditador romeno Nicolae Ceausescu discursa para uma multidão, em mais um comício oficial, realizado para sustentar seu governo. Eis que, em meio à cobertura televisiva ao vivo, o olhar do ditador percebe algo, inquieta-se. A imagem da TV estremece, não simplesmente devido a uma falha técnica, mas porque é todo o espaço em torno que treme. Revoltada, uma multidão invade o local e começa a tomar as ruas e os prédios. O ditador pede calma. Como último recurso, a televisão corta a imagem para um fundo vermelho. A partir dessa cena fissurada, Videogramas analisa a política como uma logística das imagens: por meio de um amplo repertório de arquivo - fragmentos da mídia e vídeos amadores produzidos no calor dos acontecimentos -, o filme acompanha a queda de Ceausescu, que, após intensa revolta popular, culmina com sua execução em dezembro de 1989. Provocados pela experiência de Farocki e Ujica, o filme permite discutir algumas experiências audiovisuais de tom ensaístico que operam no âmbito das imagens em direto, ao vivo, próprias do espaço público midiático contemporâneo.
Faixa etária: 18 anos
17h30 - ConferênciaIlana Feldman e Cezar Migliorin
Ilana Feldman
Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da Universidade de São Paulo (ECA-USP) e mestre em Comunicação e Imagem (2007) pela Universidade Federal Fluminense (UFF), onde desenvolveu pesquisa sobre os aspectos estéticos e políticos dos reality shows. Graduada em Comunicação Social - Cinema, pela Universidade Federal Fluminense (2004), período durante o qual participou de duas pesquisas de Iniciação Científica (bolsa PIBIC) na linha da Imagem, Tecnologia, Poder, Corpo e Subjetividade. Também atua como realizadora de audiovisual e crítica, sendo colaboradora da revista eletrônica Cinética e colaboradora da revista eletrônica Trópico. É co-editora, junto com Cezar Migliorin, André Brasil e Leonardo Mecchi, da publicação "Estéticas da Biopolítica - audiovisual, política e novas tecnologias". Atualmente pesquisa o documentário brasileiro contemporâneo, a partir da questão do ensaísmo, das práticas confessionais e da autoficção.
Cezar Migliorin
Professor Adjunto da Universidade Federal Fluminense. Possui textos publicados em dois livros editados pela Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual (Socine) e em revistas acadêmicas como Devires, Cinemais, Sessões do Imaginário e Sinopse além de ter participado do livro Cinema dos anos 90. Faz parte da equipe de redação da revista eletrônica Cinética (revistacinetica.com.br) onde escreve sobre cinema e artes plásticas. Co-Editor - com Ilana Feldman, André Brasil e Lonardo Mecchi - do projeto Estéticas da Biopolítica, premiado pelo MinC em agoto 2007. Doutor em Comunicação e Cultura e Cinema em regime de co-tutela entre (Eco-UFRJ) e (Sorbonne Nouvelle, Paris), orientação Ivana Bentes e Philippe Dubois.
18h30 - Jogo de Cena (Eduardo Coutinho, Brasil, 2007)
Este raro filme brasileiro, realizado pelo documentarista Eduardo Coutinho, problematiza com fina sutileza os gêneros cinematográficos e acaba colocando em questão as certezas do espectador. Toda a ação transcorre no espaço fechado de um cinema vazio, com as luzes acesas, pelo qual transitam várias mulheres que são entrevistadas pelo diretor. Algumas delas são atrizes famosas, como Fernanda Torres, Andréa Beltrão e Marília Pêra, que interpretam os papéis das entrevistadas. Essas outras são mulheres reais e desconhecidas, que contam episódios marcantes de suas vidas: eventos referidos a suas relações familiares e afetivas, carregados de emoções e com uma riqueza histriônica que muitas vezes resulta comovente. Mas ao longo do filme aparecem também relatos pronunciados por atrizes desconhecidas, que podem estar narrando momentos de suas vidas ou, quem sabe, talvez estejam interpretando histórias alheias. Até mesmo as atrizes célebres parecem, por momentos, evadir-se dos roteiros fictícios e confessar acontecimentos que realmente vivenciaram nas próprias vidas. Ou não. Assim, o jogo de cena se complica na tela, e o filme acaba jogando o espectador numa espiral de suspeitas onde a encenação, a verdade, o fingimento e a autenticidade se misturam e se entremeiam como num caleidoscópio audiovisual. Ou como no cinema. A crença na veracidade das imagens é desafiada, e no final resta apenas uma certeza: os limites entre a ficção e a realidade são mais ambíguos do que costumamos pensar, e o mais interessante talvez resida na maneira em que essa ambigüidade é explorada, ou no modo como as histórias são contadas.
Faixa etária: 12 anos |