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Dia: 24.06.2009

14h00 - Parabolic People (Sandra Kogut, Brasil, 1986)

Realizado no ano de 1991, o vídeo de Sandra Kogut descende da instalação "Videocabines são caixas pretas", realizada por Kogut no Rio de Janeiro no ano anterior. Para realizar Videocabines, a cineasta convidava pessoas que passavam pelo centro da cidade a entrar nas cabines improvisadas. Cada participante tinha um minuto para fazer o que quisesse em frente à câmera. Homens, mulheres e crianças que aparecem na tela confiaram à câmera "seus pequenos segredos, suas receitas de cozinha, seus expedientes para chegar a Deus, ajudar o governo a sair da crise, segurar seus parceiros amorosos e conjurar suas inquietudes". Em seguida, a cineasta expandiu u a videocabines para cinco continentes afim de "realizar uma série de televisão experimental, trans-nacional, multilíngue, com vocação universal". Em Parabolic People, Kogut instalou novamente cabines em espaços públicos - desta vez, além do Rio, em Paris, Tóquio, Dakar, Moscou e Nova Iorque. A edição digital permitiu à cineasta acumular numerosas imagens dentro do quadro da tela da televisão. Kogut levou quatro meses para editar Parabolic People e chegar ao seu formato final de quarenta e cinco minutos.
Faixa etária: 18 anos

33 (Kiko Goifman, Brasil, 2004)
O documentário 33 trata da busca de Kiko Goifman por sua mãe biológica. Goifman é filho adotivo e, no ano em que completou 33 anos, decidiu procurar a mãe. A partir de pistas dadas por detetives de São Paulo e Belo Horizonte, o cineasta parte nessa jornada, documentando todo seu trajeto em um diário on-line que foi transformado em material para seu filme. O filme também inclui a reação do público, que acompanhou o diário mantido por Kiko Goiffman na internet, que teve grande importância no processo.
Faixa etária: 16 anos





ConferênciasPaula Sibilia e Hernan Ulm

Paula Sibilia
Possui graduação em Ciências da Comunicação - Universidad de Buenos Aires (1992), mestrado em Comunicação pela Universidade Federal Fluminense (2002), doutorado em Comunicação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2007) e doutorado em Saúde Coletiva pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (2006). Atualmente é professora adjunta da Universidade Federal Fluminense, no Programa de Pós-Graduação em Comunicação e no Departamento de Estudos Culturais e Mídia. Tem experiência na área de Comunicação, com ênfase em Novas Tecnologias, atuando principalmente nos seguintes temas: subjetividade contemporânea, corpo humano, tecnologias digitais, imagens e práticas corporais. Bolsista de Produtividade em Pesquisa CNPq - PQ2.

Hernan Ulm
Professor Adjunto nas cadeiras de Estética, História da Arte e Filosofia da Linguagem na Universidade Nacional de Salta (UNSA), na Argentina. Mestre em Filosofia Contemporânea com orientação em Ética, pela UNSA, atualmente dirige o Projeto de Pesquisa intitulado "A questão 'o que é pensar?' na filosofia contemporânea". Publicou numerosos artigos em revistas acadêmicas e capítulos de livros, em torno às problemáticas das artes e do cinema, ministra seminários de graduação e pós-graduação, participa em congressos nacionais e internacionais com artigos sobre temas relativos às relações entre arte e política, cinema e percepção, filosofia e imagem, cinema e arte na obra de Gilles Deleuze, entre outros.

18h30 - Seams (Karim Aïnouz, Brasil, 1993)
Este documentário, realizado há mais de quinze anos pelo diretor de Madame Satã e O céu de Suely, pertence ao curioso gênero dos "filmes confessionais". É, aliás, um dos primeiros exemplares dessa novíssima espécie, sobretudo na filmografia nacional. Tem, porém, algumas peculiaridades que o tornam difícil de enquadrar, como o fato de ser narrado em inglês, mesmo tendo suas raízes bem fincadas no interior do Ceará. Além disso, mistura episódios claramente encenados e até mesmo teatrais, com entrevistas e outros ingredientes que operam no registro da veracidade. E apesar da ênfase declaradamente autobiográfica, os protagonistas do filme não são apenas o cineasta e sua família, mas também certos traços da cultura brasileira. Em particular, o machismo. Mas boa parte da riqueza que torna este filme tão belo e delicioso provém dos depoimentos das cinco tias-avós do diretor, verdadeiras figuras cinematográficas que, se não existissem na realidade, bom teria sido inventá-las. Episódios das vidas dessas cinco mulheres desfilam na tela, nos relatos tecidos por suas vozes que sabem narrar como só se fazia antigamente, e que destilam convicções tão contundentes como inesperadas acerca do amor, da família, do casamento, do sexo e, é claro, dos homens. Ou seja, dos machos. O título do filme alude à profissão de algumas das senhoras que tanto falam na tela: costureiras. Mas também se refere às costuras, cortes e suturas que dão forma tanto a um filme como a uma vida, e que alinhavam misteriosamente umas vidas com as outras.
Faixa etária: 12 anos

Los Rubios (Albertina Carri, Argentina, 2003)
Quem são "os loiros" do título? A rigor, não sabemos. Porque não existem: são fantasmas do passado, que ficaram registrados na memória dos vizinhos da infância da diretora deste filme, a jovem Albertina Carri, cujos pais foram seqüestrados e "desaparecidos" na última ditadura militar argentina, quando ela tinha apenas três anos de idade. O filme é o relato de uma busca, a procura intensa por respostas e explicações que nunca chegam. Ao longo de quase duas horas e meia de película, narram-se as peripécias de uma viagem na própria memória e nas lembranças dos entrevistados. O que aconteceu, de fato, aquele dia em que o casal desapareceu? Aonde eles foram levados? O que ocorreu depois? E, o que talvez seja mais importante embora ainda mais enigmático: por que tudo isso aconteceu? Não há muitas certezas neste filme. A verdade é arisca, metamorfoseia-se e se recusa a aparecer na tela. Surgem, em seu lugar, os estilhaços das memórias próprias e alheias, como lampejos confusos que muitas vezes são contraditórios entre si e paradoxais em si. O filme é, de fato, um documentário sobre a realização de um outro filme, que talvez poderia ter trazido as respostas tão procuradas mas, por impossível, jamais existiu e nem existirá. Restou o filme do filme, protagonizado por uma família de "loiros" que sempre foram morenos e, ninguém consegue explicar exatamente por que, viveram histórias incompreensíveis.
Faixa etária: 16 anos


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