| Dia: 28.06.2009 15h00 - O Testamento do Dr. Mabuse (Fritz Lang, Alemanha, 1932)
Uma das articulações mais extraordinárias entre cinema e percepção com o campo mutante da modernidade tecnológica pode ser encontrada na trilogia do Dr. Mabuse, realizada por Fritz Lang ao longo de sua turbulenta carreira. Os filmes analisam de modo muito singular a transformação das relações entre as tecnologias da imagem, a percepção e os aparatos de poder, culminando em uma crítica "clarividente" sobre a proliferação das telas de vídeo, com Os mil olhos do Dr. Mabuse (1960). Nos filmes, Mabuse não é apenas um personagem protagonista da trilogia, mas a metáfora de um sistema de poder espetacular, hipnótico e telepático cujas estratégias de dominação mudam continuamente. A transição de um modelo óptico de poder para um modelo audiovisual está clara na passagem de Dr. Mabuse, o jogador (1922) para o Testamento do Dr. Mabuse (1932), na medida em que no primeiro filme o vilão exerce seus poderes de influência pelo olhar e no segundo, após o estabelecimento da sincronização do som cinema, o sinistro doutor transforma-se em um espectro que controla sua quadrilha através da voz. Em O testamento do Dr. Mabuse, ainda inédito no Brasil, o sistema mabusiano não pode ser mais reduzido a um modelo visual, já que se desdobra para um espectro mais amplo de manipulação perceptiva. A potência hipnótica do som - aludida de diferentes maneiras nessa segunda parte da trilogia - constituiu a priori parte do cinema desde seu início, porém foi a introdução do som sincronizado com as imagens que o tornou um fator decisivo na transformação da natureza da percepção espectatorial.
Faixa etária: 16 anos
17h30 - Conferência de encerramento Eric Lecerf
Lecerf é professor de Filosofia na Universidade Paris VIII, Saint-Denis e autor de inúmeros livros, entre os quais Le sujet du chômage (Paris, Budapest, Torino: Harmattan, 2002) e La famine des temps modernes: es sai sur le chômeur (Paris: Harmattan, 1992). Obteve diploma em História Contemporânea pela École des Hautes Études en Sciences Sociales (EHESS) e foi diretor de programa no Collège International de Philosophie (Colégio Internacional de Filosofia).
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